A história que agora você vai ler é o
triste drama de muitas famílias. Pais e mães que, por diversos motivos, não
tiveram o cuidado de ensinar ao filho ou a filha qual vida deve ser vivida.
Para essa tarefa apareceram o mundo, os amigos, a televisão, que ensinaram não
o verdadeiro valor de uma vida, mas uma triste ilusão de se estar fazendo o
“certo”.
Não queremos aqui banalizar a vida, as
drogas, e outros tantos vícios. Sabemos que a reflexão que queremos propor é uma
pequena ação diante de uma vasta realidade escravizante. Mas acreditamos também
que esse pouco que fazemos pode mudar e muito a vida de muitas pessoas.
Daniel, desde criança sempre foi um
menino calmo. Sua mãe, uma jovem de 27 anos, chamada Lúcia, sempre o deixava
com a avó para trabalhar. E, mesmo nos poucos momentos de convivência com o
filho, ela dava pouca atenção ao garoto. Por isso, ele sempre fazia o que
queria: ficava o dia todo na frente da TV, brincava de bola com os amigos da
rua, repetiu o ano duas vezes, e por isso apanhava para estudar.
Ao chegar na adolescência conheceu um
lado ruim da vida. Fez novos amigos, que sempre o convidava para filar aula, e
para fazer coisas erradas. Comprou numa banca uma revista indecente. Sua mãe,
sempre ausente, não sabia como era a vida de seu filho: ela preferia sempre
esfriar a cabeça de muito trabalho com as amigas, tomando cerveja.
A inveja começou a fazer parte da vida
do jovem Daniel.
- E... Olá (olha lá), aquele cara tem
uma moto maneira; os cara paga pau pra ele. E o celular do pivete ali... as
meninas curte a fank dele. Pow, ah se tivesse essas coisa.
Daniel passou a querer ser o cara do
pedaço; passou a querer ser reconhecido pelos brothers; queria pegar todas as
meninas da escola. Sua avó, que na aguentava mais uma briga todo dia dentro de
casa por causa da bendita moto, deu uma para Daniel.
- Quero ver se agora esse menino me
deixa viver em paz, dizia ela.
Daniel passou a chegar tarde em casa.
Sempre estava com uma menina.
- Mermão (meu irmão), ontem eu peguei
a Carla.
- E aí, e aí como foi?
- Rapaz, eu peguei a moto... (a fala
vai sumindo)
Daniel tinha tudo o que queria: um
celular, uma moto, um computador, uma menina todo dia. Mas para ele ainda
faltava algo. O que havia comprado ainda não era o bastante, precisava de algo
que lhe desse muito prazer, um prazer que durasse um bom tempo. Percebeu também
que não tinha autoridade, que não tinha um nome entre os amigos. Foi aí que...
- Deixa eu experimentar ae (aí)
pivete. (Tosse) Pô... Como é que você consegue puxar essa fumaça mermão?
- Maluco, você puxa esse negócio ae de
boa. Com um tempo você acostuma.
Daniel agora fumava. Era isso que dava
prestígio para ele, entre os amigos.
- Os manos agora vão me respeitar.
De fato, ele passou a ser popular
entre os amigos. Todo mundo falava com ele. Porém, o vazio ainda continuava.
Ele ainda não estava satisfeito.
Em casa, sua mãe começou a se
preocupar com ele. Sempre reclamava, despejava os problemas do trabalho no
filho. Ele nem dava mais assunto a mãe: achava que tava doida. A avó nem dizia
mais nada. Daniel passou a dormir fora. Chegava em casa no outro dia só para
trocar de roupa: a confusão em casa era demais.
- Droga! Essa mãe chata; essa velha
caduca.
Daniel vivia estressado. Os amigos já
não davam tanto crédito para ele. As meninas eram vistas como meros objetos.
Para ele as coisas perderam a graça.
- Essa merda de vida! Será que ninguém
vê a minha necessidade?
Foi aí que Daniel experimentou a maconha.
Um rapaz percebeu a necessidade dele, e por isso ofereceu um maço. Porém,
Daniel, se sentia muito sonolento, e por isso resolveu usar a cocaína:
deixava-o mais esperto, e o efeito era mais duradouro que a maconha.
- Essa daqui é melhor, mermão.
O vício tomou conta da vida daquele
jovem. Todo dia usava drogas. Como não bastasse, passou a usar sempre que
podia. O dinheiro era pouco diante de uma grande necessidade. Vendeu a moto, o
celular, e depois tudo o que havia em casa.
A mãe tentava buscar ajuda, mas o
filho violento a ameaçava.
- Sai da minha frente!
A vida daquele jovem estava entrando
num caminho sem volta. De fato, sabemos que o primeiro trago já vicia.
Resolvemos parar a história aqui. É
dramático e triste saber que muitas pessoas se encontram nesse jovem da
história. Qual vida estamos construindo: a que é modelo para tantas pessoas,
que veem em nós o Cristo, ou uma existência medíocre, hipócrita? Os jovens, e
tantas outras pessoas se transformam num "Daniel" porque não encontram
sentido para viverem. Que tenhamos, e sejamos o Cristo na vida diária.
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